Minha Mensagem… 2017 foi…

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Não, não mentirei.

2017 foi ano difícil.

Mas o bom é que está acabando e levando com ele apenas as más recordações, porque acredito  na renovação da fé, na capacidade que temos de superar adversidades e seguir em frente, com nossas convicções, com as pessoas que amamos.

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Tudo passa, a vida nos mantém o que é bom, então é momento de agradecer a cada leitor que passou por aqui neste ano. Meu “muito obrigado” aos que enviaram e-mails, comentários, que compartilharam as chamadas de cada artigo no Facebook!

Sem esta ajuda e amizade, deste carinho pelo ano todo, não haveria sentido em levar este projeto adiante.

O Blog completará cinco anos no início do próximo ano!

Temos o que comemorar, não é mesmo?

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Então recebam meus votos de um feliz período de festas, de encontros agradáveis, de preparativos alegres ao novo ano que vem chegando…

Um abraço apertado e muito carinhoso aos leitores e amigos do Bloguinho.

De hoje até fevereiro estaremos em férias. Até lá, até 2018!

Manoel Higino Filho

 

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Somos Todos Humanos

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Um nome desconhecido da maioria por aqui é o do francês Yann Arthus-Bertrand. Jornalista, fotógrafo, cineasta documentarista, nascido rico de família tradicional e de renome, em 1946, este homem tem dedicado sua vida a mostrar ao resto do mundo como estamos aqui no planeta.

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Tenho muito respeito pelo seu trabalho, tanto, que não me alongarei. Quero que cada leitor tenha a curiosidade de assistir ao seu “Humanos” (Human, the Movie, 2105), uma obra prima de impacto emocional e que toca o cérebro como um martelo.

Este homem que começou como fotógrafo absolutamente brilhante, sempre foi apaixonado pela natureza, passando a colaborador da renomada National Geographic há pouco mais de duas décadas.

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Mas como diretor de Human deu um salto qualitativo que o  destaca dente o criador de uma das mais tocantes obras deste século.

Tudo é simples.

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Na tela apenas rostos de pessoas de várias e várias partes do mundo. Eles falam francamente sobre temas cotidianos, falam pouco, por volta de 30 segundos, às vezes mais de um minuto… Alguns, dois.

Nas mudanças de temas dos depoimentos, o Diretor nos brinda com absoluto talento em imagens fantásticas, que não sabemos de onde veem…

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Amor, família, imigração, gays, refugiados, pobreza, Deus, o sentido da vida… Cada tema deixa o depoente livre. Eles nos contam suas breves histórias, nos fazem pensar, chorar e rir de nós mesmos, frente nossa fragilidade e … Não há nomes, informações sobre pessoas ou lugares, e nem seria mesmo preciso. Narrado em idiomas às vezes desconhecidos, o filme nos mostra pessoas da rua, da tribo mais pobre e mais digna, com seus chefes carismáticos e nobres. Trás gente solitária, inteligente, perdida, sem futuro e sem passado que valha a pena narrar, que derrama suas confissões sem pudores.

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Human é certamente das mais emocionantes abordagens que  poderemos assistir… É de se pensar se alguém ficaria indiferente às imagens e falas do mundo todo!

Ali nos apercebemos, de novo e de novo, que somos humanos, irmãos, que somos do mesmo planeta, com as mesmas questões e muito parecidos. Muito mesmo.

Anotem, procurem pela WEB, é tão fácil que já seria razão para celebrarmos. Há versão em português à disposição.

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Relaxem, soltem os sentimentos, permitam-se viver esta experiência e o crítico momento que atravessamos.

Somos humanos.

 

MANOEL HIGINO FILHO É ECONOMISTA E SÓCIO DA SANTOS & GROSSI CONSULTORIA.

WWW.SANTOSEGROSSI.COM.BR

Instagram: sg_consultoria

 

 

A (Falta de Boa)Educação Por Aqui

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Descobri vivendo que há assuntos que não têm fim!

Pode se falar sobre eles por décadas, até a morte, não acabam…

Há alguns espinhosos em que (quase) ninguém quer tocar, porque sob risco de ferirem muitas almas e convicções de muito arraigadas, poderão interromper amizades, irromper em conflitos.
Mas há um assunto que tem dado tanta tristeza, mas tantas preocupações, que tocarei em alguns pontos que consideraria mais relevantes, mesmo sob risco de ouvir desaforos por não ser especialista, embora tenha trabalhado na área por vários anos: Educação.
Escrevo porque não vejo ninguém tratar do assunto.

Não sou a melhor pessoa para criar críticas e alternativas, mas já que chegamos ao ponto em que chegamos, quero provocar algum debate!

Tudo parece ser limitado ao meio acadêmico, com artigos empolados que não desprezo inteiramente, mas que não vejo resolverem muitas coisas. Ah, o velho gosto lusitano pela retórica…

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Sala de aula de boa escola brasileira… Hoje!

O ensino público deve ter chegado ao mais baixo nível que se pode alcançar. O comportamento de alunos e professores vai aos tropeções, a escola é norteada por valores e crenças que não atendem ao seu tempo, aos alunos, ao País. A Escola deveria encontrar seres humanos em certo estágio de desenvolvimento e, depois de carga de trabalho e tempo, devolver às suas famílias, bem melhores que entraram.
Ou seja… a Escola deveria ter um papel transformador!

O mundo deu voltas rápidas demais, e se em séculos passados, ir à escola era alegria máxima de abrir horizontes e entender o mundo, se o mundo era chato e incompreensível, a escola o explicava, coloria, tornava os mistérios ao alcance da mão.
Hoje a pirâmide está de cabeça para baixo!

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Escola do século XXI, rara por aqui.

Vamos fazer de conta que estou passando um telegrama de consultor e listando os problemas que considero os mais relevantes. É como se estivesse fazendo relatório aos superiores.
Vamos lá:

• A escola brasileira repete conceito da revolução industrial, um professor lá na frente brigando para que os alunos prestem atenção em algo.
• Assim o professor é detentor do saber, o único prevalecente.
• O mundo mudou e há outras formas de aprendizagem, ninguém, no entanto, parece estar interessado nelas.
• Os professores são despreparados para os novos tempos e são, aparentemente, malformados.
• Os alunos acham o mundo de fora mais interessante, com telas, cores, web, estímulos.
• O mundo exterior deveria estar dentro das salas de aula.
• Pela primeira vez na história, os jovens sabem coisas…. Que os velhos desconhecem!
• A formação pedagógica é precária e calcada em conceitos arcaicos. Ainda há quem reverencie, por exemplo, Paulo Freire.

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• Os pedagogos não parecem muito mais preparados ou melhores que o corpo docente.
• Parte substancial dos alunos veem de famílias desestruturadas.
• Não raro alunos e alunas brigam e chegam a “tirar sangue” em disputas por namorados ou simples pontos de vista.
• Ataques aos professores não são raros!
• Os professores estão estressados e requisitam licenças com frequência.
• Discurso político partidário é comum pelos professores em sala de aula.
• Ainda há alunos que frequentam aulas para terem acesso à merenda.
• Parte substancial dos alunos não aprende, sequer, o básico. Simples bilhetes ou notícias não são compreendidas.
• Há alunos que confessam, sem pudor, que traficam drogas, sendo “mulas” deste perverso sistema.

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• Paira o “analfabetismo funcional” sobre a maioria.
• Avaliações nacionais e internacionais atestam a precariedade do sistema educacional. Os alunos brasileiros estão no fundo das listas de desempenho.
• Escolas ruins, métodos antigos, violência e desrespeito, remunerações pouco atraentes, resultam em desinteresse pela profissão.
• Os diretores de escolas parecem pouco preparados aos aspectos de gestão das Escolas.
• Burocracia e lentidão, além de alegada falta de recursos, atrasam em muito projetos que poderiam ser positivos às escolas e alunos.
• Não há estímulos sistêmicos perceptíveis aos bons alunos ou professores. Na média, todos são tratados apenas dentro de um sistema burocrático de avaliações, quando existem.
• Aspectos cotidianos, mas relevantes, se levados aos alunos para conhecer suas opiniões, raramente são de amplo conhecimento.
• A distância entre ensino público e privado alcançou níveis abissais.

 

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Escola no mais rico estado do País.

Já sei que alguns leitores torcerão o nariz para este rapidíssimo rol de mensagens e constatações.
Se este artigo (que nem parece pretencioso) alcançar alguém que pare para pensar em seu conteúdo, acreditem, fará meu coração feliz. Impossível tratar do tema em meras 700 palavras.

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Sala de aula do século XXI.

Mas eu pediria atenção aos itens elencados, são fruto de observação e honesto interesse pelos brasileirinhos que lá estão.

Vamos mal, mas muito mal mesmo.

MANOEL HIGINO FILHO É ECONOMISTA E SÓCIO DA SANTOS & GROSSI CONSULTORIA.

SITE, visite: WWW.SANTOSEGROSSI.COM.BR

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Vida de Consultor Não é Fácil!

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Foi em maio de 2014  que fui a Curitiba pela última vez. Estive em viagem de trabalho, o objetivo era criar diagnóstico em projeto de consultoria a uma pequena rede de lojas voltada ao segmento automotivo, que se dedica ainda hoje à manutenção de veículos, peças e artigos de consumo. Três lojas que iam muito bem até então. Houve, no entanto em dado momento, a percepção pelos dirigentes que algo tinha mudado. O cenário tinha sido pouco compreendido pelos donos da rede.

Passei lá uma semana, visitei as instalações, passei um dia em cada ponto de venda/atendimento, conversei com funcionários, clientes e dei uma olhadinha bem crítica na concorrência.

Fiz alguns cálculos e avaliações sobre faturamentos e tipos de serviços. Criei (o quanto pude) indicadores que me conduzissem a visão abrangente da realidade de negócios das lojas no contexto daquela cidade. Como é de praxe, apresentei ao final um Power Point (consultores adoram PPT) que em 16 slides traçava diagnóstico, medicação e prognósticos ao paciente, neste caso, algo sombrio. Expliquei com calma meus pontos de vista na reunião final, seus porquês e previsão de vida de mais ano e meio, caso nada de importante fosse realmente mudado.

Houve vivo interesse pela apresentação, demonstrando (inicial) empolgação e determinação pelas novas ideias e pela mudança… Celebrada com jantar simpático pós-reunião. Curiosamente não fecharam o contrato de consultoria, achando os valores um tanto altos às pretensões do grupo. Não discuto com clientes sobre este pormenor por considerar que o processo de mudança começa… Pelo desejo de mudar! Ninguém impõe ao cliente seu próprio desejo e perspectiva, cabendo ao consultor, tão somente, dar razões para que um determinado novo jeito de realizar tarefas e alcançar objetivos seja implementado. O consultor é espelho plano, não pode refletir distorções.

Mas neste caso em especial, eu errei!

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A pequena rede de três lojas que ia tão bem e que eu previra sobrevida de mais ano e meio… Bem… Deu mostras de mais rápida deterioração de negócios e margens do que o esperado, ao menos por alguns motivos que são comuns às empresas por aqui:

Dificuldade em diluir custos fixos.
Inexistência de indicadores claros de desempenho.
Processos confusos e sem capacidade de contínua melhora.
Cenário de crise econômica, com especiais problemas no varejo.
Comunicação ruim com clientes e mercados.
Pouca diferenciação à concorrência.

Pense com calma o que acabou de ler…

É bem a face do momento que atravessamos bem como das estruturas deficientes que vemos todos os dias, com suas mazelas e dificuldades. No ano passado escrevi sobre o fascinante e perverso processo de morte das empresas, quando todos sabem o que tem que fazer, possuem as informações e as alternativas, mas, por razões sobre as quais faço reflexões cotidianas, preferem manter o rumo e, simplesmente, morrer.

Este caso em especial é citado por ser o mais recente, mas quantas vezes não se encontram empresas na mesma situação, debatendo-se entre incapacidade de avaliar resultados e objetivos alcançados e a utilização de recursos? Ou seja… Não se sabe ao certo se a quantidade de recursos é adequada e útil, nem tampouco, se os objetivos eram realistas e realmente necessários à organização.

Dá o que pensar.

MANOEL HIGINO FILHO É ECONOMISTA, SÓCIO DIRETOR DA SANTOS & GROSSI CONSULTORIA.

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ARGHHHH… Quantas Mudanças!!!

Publicado em 22/11/2012
por manoelhiginoconsultor.wordpress.com

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Acreditem, em um passado que já está meio distante, as vidas e carreiras nas empresas eram coisas bem mais simples. Lembro-me com clareza dos conselhos de minha mãe, e todos eles, todos mesmo, tinham uma fórmula meio mágica para ser um bom trabalhador, honesto como deveria ser e com carreira que duraria a vida toda. Tive colegas e amigos cujas aspirações passavam necessariamente por empregos públicos, bancos oficiais, estas coisas…

De fato, até onde me lembro, não existia esta coisa de desemprego endêmico, ou ameaças constantes de colapso de famílias e pessoas por falta de trabalho, claro que falo de extratos de classes médias, sem maiores considerações que não a de costumes e épocas.
As pessoas nasciam, cresciam, os melhores alunos iam para as boas escolas públicas via concursos… Depois lutavam encarniçadamente por uma vaga na Universidade Federal ou PUC, e se fossem capazes de cumprir os rigores das escolas, tinham empregos bem seguros, dado que formados no terceiro grau eram poucos e raros. Tão raros eram nas gerações anteriores á minha, que frequentemente, para a formatura, viajavam em turmas para a Europa, estas coisas do passado.

As empresas eram sólidas, pareciam ter existido por toda a vida. Os estoques disto ou daquilo eram mostrados a nós, meninos ainda, com orgulho. Víamos aquilo tudo como sinal de riqueza, de poder, de muito dinheiro guardado.

Mas tudo mudou. Tudo mesmo!

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As empresas de hoje duram menos que duravam, morrem bem mais cedo. Para adiarem o fechamento das portas, passaram por mudanças enormes nestes últimos 30 anos. E tome reengenharia, downsizing, planos mirabolantes de Marketing, de Vendas, correria sem fim, treinamentos e preparação de executivos. Por que foi assim? Porque fabricar alguma coisa, a técnica de produção ficou ao alcance de todos. Fabricar coisas ficou muito acessível. Colocar no mercado (leia-se vender), com todos fazendo as mesmas coisas ao mesmo tempo ficou difícil, e a tal ponto, que a vida média das empresas caiu pela metade! Hoje todos são muito parecidos, os clientes mal se lembram das marcas de produtos que têm em casa.

As empresas familiares foram as que mais sofreram, com tempo de vida útil cada vez menor e ainda em queda. Com tantas revoluções em tecnologia, mercados inundados de produtos de real qualidade e informações que não são mais segredos, bem, convenhamos, a coisa ficou preta!

Antes desta revolução que tem raízes no avanço técnico proporcionado pela Segunda Grande Guerra (1939/1945), poucos fabricavam e a demanda era alta, ou seja, bastava fabricar, mesmo que com qualidade criticável, mesmo assim, vendia-se tudo.
Para explicar melhor: até a II GG, quase tudo que era feito em indústrias, mesmo que com razoável avanço técnico, como os automóveis, precisava de algum ajuste na linha de montagem. A razão para tal comportamento é fácil de explicar e difícil de entender-se ou assimilar. É que até esta época as peças eram de tal modo mal acabadas, com pouco domínio de materiais e matrizes de peças e componentes, que ao final da linha de produção, necessariamente alguém teria de (re) trabalhar peças e detalhes para o encaixe perfeito. O esforço de guerra obrigou a indústria a melhorar muito, tanto para ter mais confiabilidade no que produzia, quanto para baixar custos via maior velocidade de produção.

Agora ocorre o inverso, todos têm qualidade e preço, bem como ampla oferta de produtos, com mixes abundantes, segmentação absurda (e às vezes ridícula, como shampoos e produtos para cabelos, por ex). Vamos atrás de mercados e clientes onde estiverem, pesquisamos tudo, criamos indicadores de tudo. A mudança é constante. Nunca se produziu tanto, para tanta gente, e com tanta qualidade… E com preços gerais em queda! (Bem como os lucros, claro).
Mas o fenômeno que mais tem ocorrido é a empresa ficar até bem, adaptada ao novo cenário, em constante avanço, mas com executivos e pessoas sentindo-se muito mal, estressadas e deprimidas. A pressão é excessiva, absurda. Tudo fica para prazos muito curtos. Nunca se dominam todas as informações. Não há espaço para erro. Eis porque drogas e até suicídios em empresas ainda chocam muito, mas, cá entre nós, que ninguém nos ouça, são mais comuns que se fazem supor.

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Dito isto, eu ainda poderia ser considerado um “romântico” no entendimento do trabalho e sua função. Somos seres humanos, trabalhar é bom, é fator (ou deveria ser, bem entendido) de crescimento pessoal e de aprendizado coletivo. Empresas melhores, que remuneram melhor a empregados e fornecedores, atraem talentos e clientes de primeira classe, que terão mais qualidade em produtos e serviços, com taxas de lucro maiores e clientes mais fiéis.

A vida e o trabalho não parecem mais o que deveriam ser.
O que se vê por aqui é quase o oposto disto, sem maiores traços de meritocracia ou espaço para tudo o que citei acima.
O que se espera dos profissionais agora é que já tenham respostas prontas, que nunca errem. Esperam e exigem que sejam super homens de carne e osso, mas infalíveis e perfeitos. Como tal coisa não existe, cria-se espaço extra para bajulação, manipulação e uma luta encarniçada pelo poder (ou pela manutenção do status) dentro das Organizações, isto sem falar no famoso “faz de conta” que um dia abordaremos por aqui.

No vácuo perverso desta corrida, tudo de ruim e abusivo que citei acima.
Tinha a sensação de já ter visto de tudo na vida.

Mas sempre me surpreendo.

Pressão 18… Por 17!

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O ano acabou.

Não foi grande coisa, convenhamos. Conversava com um amigo que faz aniversário hoje. Durante meus cumprimentos pela data, não poderia deixar de  ligar a ele, claro… Bem, ele interrompeu e perguntou por que o Blog não fazia mais previsões.

Verdade.

De tempos para cá perdi um pouco esta veia exotérica, de lançar flashes sobre o futuro. Mas há razões para tanta preguiça em explicar o que acontecerá na Economia, já que sou da área, pois além do que acontecerá, há razões que devem ser relatadas para  o palavrório.

Otimista eu nunca fui, é fato. Mas não ser otimista não quer dizer que sou pessimista nato. a não ser para fazer piadas, que pessimistas são seres engraçados, os otimistas, ridículos.

Tenho sido muito cauteloso para emitir opiniões sobre o porvir, muito mesmo. Basicamente não acredito que estejamos entrando em novo ciclo de crescimento, de retomada de emprego e negócios.

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A Economia vai mal, o mundo Politico, pior, e a sociedade, cansada, exaurida, não acredita em mais nada, debatendo-se entre muro e outro, paredes e portas, de tão chutada e desprezada. O mundo Jurídico já invadiu o espaço das críticas mais pesadas, especialmente depois do melancólico papelão do STF sobre imunidade, com o infeliz, desarticulado voto da presidente, de quem esperávamos tanto.

Eu não esperava nada, mas bem sei que a Nação que lê jornais e entende o que está em seu entorno, sim, achava que a mineira juíza seria mais sensível, mais corajosa.

Mas apenas toco nestes assuntos porque a Economia vai mal, muito mal, mesmo porque quem decide sobre o que fazer são pessoas. Pessoas que não se sentem seguras seguram, adiam decisões. A Economia brasileira não irá crescer quase nada este ano, devendo fechar o PIB entre 0,35 e 0,50%, o que levando em conta que desceu morro abaixo com os desgraçados governos anteriores por volta de 13 ou 14,0%, será, virtualmente, nada!

Ah, dirão os otimistas, mas a TV fala em retomada lenta do emprego. Mas emprego de onde? Das pequenas empresas de gente que não arruma mais emprego. Pequenos e corajosos empreendimentos de brava gente que tem que viver! O FGTS que o presidente liberou deve ter criado mais consumo e empregos que o resto todo!

Não há poupança nacional que sustente desenvolvimento. A formação primária de capital está em níveis risíveis, o Investimento anda de lado.

Perguntarei aos leitores com calma franciscana: De onde virão este crescimento e emprego que tanto falam?

Balela. PIB de máximo de 0,5% em crescimento, o que é nada. Inflação em lenta elevação para 2018, mas ainda em níveis palatáveis, frente ao que vimos em passado recente.

Não temos participação no Comércio Internacional, não temos agenda com os EUA, sequer com atores na Europa. Permaneceremos como coadjuvantes vendedores de commodities, que são vendidas em peso, aço, café, soja… Valha me Deus!

Ah, dirão revoltados outros incautos… Mas o setor X e Y aumentaram vendas… E responderei que deveremos analisar caso a caso. Bolhas de consumo sempre existirão.

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O cidadão está apertado, segurou compras, abaixou de forma extra seu consumo e aspirações… Mas seu velho carro dá tanta manutenção que ele preferirá juntar algo no 13º redentor, empurrar o carro velho para frente e trocar por uma destas coisinhas de três cilindros e seguir em frente. Ele, nós, não temos muitas alternativas. Leve isto para o conjunto da Economia e será menos difícil entender-se porque setores aqui e alí crescem, sem razão aparente, de tempos em tempos.

O quadro político está indefinido. Boa parte dos outrora lideres, está presa. Menos mal. Muitos ainda seguirão este rumo.

Para terminar: estamos mal, a coisa está preta, ficará assim em 2018.

Mudar caminhos e decisões. rever planos (se existirem) e colocar o nariz para fora d´água será coisa para os mais inteligentes e humildes.

Está assim: teremos que mudar! Se tudo em sua empresa, negócio ou iniciativa for revisto com olhos no futuro globalizado, inteligente, digitalizado e com gente de bem tocando… Pode haver uma chance.

Se não fizer… Não há chance alguma.

Amigos, espero ter errado em tudo!

MANOEL HIGINO FILHO É ECONOMISTA E SÓCIO DIRETOR DA SANTOS & GROSSI CONSULTORIA.

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O Menino e o Tempo

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Eu era apenas um garoto, lá pelos 10 ou 11 anos e ouvia os jogos de futebol pelo rádio muitas vezes. Uma emissora daqueles dias tinha um locutor que de tempos em tempos gritava (sim, todos gritam até hoje!):

_”Queeeeeee teeeemmmmpooo que o tempo teeeeemmmmm?”

Entrava um sinal eletrônica espacial, moderníssimo, e ele informava o tempo do jogo:
_”Decorridos (outro sinal eletrônico espacial) quaaaareeeennnta e três minutos do segundo tempo, fulano três, ciclano, zero!”

Isto nunca saiu de minha cabeça… Que tempo que o tempo tem?

Eu posso medir o tempo em uma maquininha qualquer, mas o que ele representa? Freud o dividia entre psicológico e o real, separava a a percepção do tempo ao longo do avanço da idade. Einstein foi mais longe… Muito mais…

Domenico De Masi trouxe-nos perspectivas muito interessantes sobre (mais este) assunto que não tem fim: o tempo.
Com ele aprendi e passei a reparar que o tempo vivido e organizado de nossos dias continua sendo o do plano e ritmo da indústria. Umas horas para dormir, para comer, para trabalhar… Todos descansam ou trabalham nos mesmos dias e horas! O tempo e a organização social ainda são os do tempo da revolução Industrial.

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Masi nos mostrou que organizar as sociedades em tempos da indústria não fazia mais sentido, mesmo porque, do ponto de vista de representatividade, as indústrias estão perdendo terreno ano após ano. Valem mais os serviços, a tecnologia, a educação e o lazer. Pode-se trabalhar em qualquer lugar, por que manter uma organização antiga?

Bismarck criou na Alemanha no final do século XIX uma espécie de aposentadoria. Ele observou que os trabalhadores da então toda poderosa indústria, que tinham expectativa de vida pouco além dos 50 anos, deveriam parar, então, depois desta idade por razão simples: morreriam logo após e mesmo que se esforçassem, não conseguiam mais ser produtivos. Passar os poucos anos restantes de vida com pensões era justo e prático. Muita gente pagava, poucos usavam e por pouco tempo. Sem diagnósticos ou tratamentos para patologias simples como pressão alta, ou a complexa diabetes, cataratas… A vida era um suplício.

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Hoje, ainda sobre “que tempo que o tempo tem”, temos acesso a um caminhão de recursos tecnológicos, que poupam tempo. Há poucos anos uma datilógrafa boa era a que não errava e era rápida, um simples erro de uma letra no doc da diretoria colocava tudo a perder! Temos agora computadores com extensões de nossos cérebros nas mãos o dia todo.

Mas não temos tempo para nada!
Que paradoxo.

Não nos demos conta que passamos a exercer tantas funções paralelas ao nosso dia a dia que o tempo se esvai. Temos que estudar sempre, mudar, exercer multifunções.
E o tempo, senhor deste controle todo sobre nossas vidas, fica relativo, às vezes sem ligação com o real. Aqui existe o (maldito) ‘horário de verão”, que além de inverter a lógica do tempo da indústria, o coloca de novo como avesso do avesso ao adiantar relógios, as tais maquininhas de contar tempo.

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A vida era dividida em etapas bem claras. Vivia-se pouco, as relações pessoais e sociais eram de papeis fixos, havia pouco tempo para si mesmo, para a expressão de cada “eu”. Até a escola, com cadeiras em filas e professores lá na frente, modelo da revolução Industrial, segue até hoje.

O que fazer com o tempo? Temos vidas mais longas cerca de três meses a cada ano que passa, comparados aos tempos do século XIX. Aposentar aos 65 anos parece natural, mas quem terá trabalho até esta idade?
Tudo mudou, mas nosso tempo que é o mesmo nos ponteiros dos relógios… Não funciona muito bem mais!

O que nos nivela é a morte, que virá para todos. Hoje só no Brasil, informa um site, há mais de 35 mil pessoas com mais de 100 anos. E a coisa avança.
Como administrar nossa saúde mental, as ocupações, os interesses pela vida se, aos 80 anos, nos sentimos como os de 60 do século anterior?

Em que tempo você vive?

A morte é punição ou redenção ao cansaço das dores e sofrimentos que nunca cessam em nossas existências?

O tempo…

O tempo… Ele não é mais espaço de vida em tardes hiper longas de nossas infâncias, quando podíamos brincar e correr até o banho e o sono incontrolável. O tempo virou variável na Física, problema para os Governos, ansiedade para os que não aceitam a morte…

A vida foi ensinando, há assuntos, que não tem fim…

MANOEL HIGINO FILHO É  ECONOMISTA E SÓCIO DIRETOR DA SANTOS&GROSSI CONSULTORIA. http://www.santosegrossi.com.br